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Joe Biden: Estado indutor do desenvolvimento e o G7

Em 115 dias na Casa Branca, o presidente Joe Biden editou três pacotes econômicos que juntos somam US$ 6 trilhões, ou o equivalente a 4.3 vezes o PIB do Brasil em 2020. Os pacotes de Biden são amplos. O primeiro, de US$ 1.9 trilhão, já aprovado pelos legisladores, era focado na pandemia e permitiu uma segunda fase do programa de distribuição de cheques do auxílio emergencial. O segundo, de US$ 2.3 trilhões, é voltado à infraestrutura, tecnologia e transição verde. O terceiro, de US$ 1.8 trilhão, visa melhorar a rede de proteção social, com ampliação da cobertura de saúde, financiamento à educação e inovação, e licenças aos trabalhadores. Ou seja, caso aprovados pelo Congresso, vão além do simples socorro à economia e tentam criar novo papel para o Estado indutor do desenvolvimento.

“Estes pacotes representam uma mudança na maneira como Washington e o G-20 veem os gastos fiscais. Se pensarmos como foi a resposta fiscal à crise de 2008/2009, os pacotes são muito maiores. Esta é a mudança mais significativa em política econômica nos Estados Unidos desde os anos 1980, pois traduz uma nova visão do papel do Estado na sociedade”, afirma Josh Lipsky, diretor do GeoEconomics Center do Atlantic Council. Lipsky lembra que o próprio Fundo Monetário Internacional – FMI determinou o aumento do teto de gastos para o enfrentamento da pior crise econômica desde 1929, derivada da pandemia de Covid-19. As iniciativas são uma estratégia contra o avanço da China, que, segundo o próprio governo americano, está na dianteira em algumas fronteiras do conhecimento, como na energia limpa.


Os pacotes econômicos anunciados, vêm como uma consistente proposta de aumento de tributos. Ao propor elevar os impostos corporativos e para quem ganha mais de US$ 400 mil anuais (R$ 2.144 milhões), os tributos retornarão ao nível que estavam no governo de George W. Bush, um republicano, e ainda serão 40% menores que as taxas recordes dos EUA. A alta de impostos não deverá absorver todos os gastos, tendo impactos na dívida do país. Mas há demanda por títulos americanos, sem alta de juros, o que significa que entidades de mercado não veem o aumento das despesas como risco final nos EUA. “Wall Street não construiu este país”, declarou Biden, num gesto aos sindicatos, no lançamento do segundo pacote em 31.3.


No que se refere à transição verde, Biden tem reforçado a frente industrial e a energia limpa. O governo tem chamado o programa de American Jobs Plan (Plano de Empregos Americano, ou AJP), afirmando que este é o maior investimento em empregos americanos desde a Segunda Guerra Mundial. “É hora de construir nossa economia de baixo para cima, do meio para cima”, declarou Biden. Em seu novo New Deal, Biden tem reiterado seu compromisso com as energias renováveis. A intenção é oferecer, por exemplo, uma extensão de dez anos para créditos tributários que beneficiem projetos de energia eólica, solar e outras fontes renováveis. Biden também pede ao Congresso que destine recursos para oferecer descontos em veículos elétricos e pontos de recarga.


Biden realizará a sua primeira viagem internacional para o vilarejo litorâneo de St. Ives, na inglesa Cornualha, para participar da cúpula do G7. Em suas propostas, além de compromisso com a vacinação mundial, comércio, clima e uma iniciativa para reconstruir a infraestrutura do mundo em desenvolvimento, Biden defenderá a criação de um imposto global mínimo a multinacionais. Antes da cúpula, ministros de Finanças do G7 concordaram em buscar uma taxa de imposto global mínimo de ao menos 15% e em permitir que países com economia de mercado cobrem até 20% dos lucros excedentes – acima de uma margem de 10% - gerados por cerca de 100 empresas grandes e altamente lucrativas. No próximo dia 16 de junho, em Genebra, na Suíça, ocorrerá a cúpula entre Biden e Vladimir Putin, oportunidade em que serão tratadas diretamente as preocupações dos EUA com ataques cibernéticos, agressão de Moscou contra a Ucrânia, entre outros assuntos estratégicos.


A reunião do G7 no Reino Unido marca a despedida da chanceler alemã Angela Merkel. Depois de 16 participações oficiais em reuniões do G7, Merkel se prepara para deixar o cargo de primeira-ministra da Alemanha. Em alguns meses haverá eleições no país. No dia 26 de setembro, ocorrerá eleições para o parlamento federal alemão. Em sua despedida, ela negociou com Biden a situação do gasoduto Nord Stream 2, que ela apoia, mas que, segundo os EUA, deve prejudicar a Ucrânia. Além dos Estados Unidos e Reino Unido, também compõem o Grupo dos Sete Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão. Este ano, foram convidados a participar da cúpula Austrália, Índia, África do Sul e Coreia do Sul.

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