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Eventos climáticos extremos e a COP27

Nesta terça-feira, 04/01/2022, dos 497 municípios do Rio Grande do Sul, mais de 110 estão sob decreto de emergência em razão de estiagem. Segundo a EMATER, a pior estiagem em 17 anos está levando hoje a 5.475 famílias sem acesso a qualquer fonte de água. São 138.854 propriedades rurais atingidas, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, promovendo perdas de 6.3 milhões de toneladas nas safras de soja, milho, arroz e feijão. O rio Paraná, 2° maior rio da América do Sul enfrenta a pior seca dos últimos 70 anos. As chuvas estão abaixo da média desde 2019, afetando a bacia do Paraná e os Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Paraná.


No último natal o rio Cachoeira em Itabuna na Bahia viveu a pior cheia desde 1967. O rio subiu mais de 9 metros, afetando mais de 430 mil pessoas, deixando mortos, desabrigados, desalojados e 47 cidades em situação de emergência em virtude das cheias. Nos Estados Unidos, que em 2020 contabilizam 22 bilhões de dólares em prejuízos pela intercorrência de eventos climáticos extremos, com 22 desastres, matando pelo menos 262 pessoas em incêndios florestais, onda de calor e seca, surtos de tornados, ciclos tropicais e outros eventos climáticos severos, vivenciou em dezembro desmoronamentos no Kentucky, matando dezenas e fazendo outras tantas pessoas desaparecerem.


Dos Estados Unidos à Turquia, do Chaco Argentino às tundras da Sibéria russa, da Europa Ocidental à África Subsaariana. De norte a sul, de leste a oeste, em 2021, o clima global parece ter entrado definitivamente em seu ciclo mais radical, com eventos climáticos extremos ocorrendo no mundo inteiro, sem trégua, a partir da ocorrência de ondas de calor e frio, estiagens, tempestades, incêndios florestais, enchentes, nevascas, entre outros. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – IPCC, publicou no dia 9.8.2021, relatório do Grupo de Trabalho I ao Sexto Ciclo de Avaliação (AR6) intitulado Climate Change 2021: the Physical Science Basis, demonstrando que as mudanças climáticas são irrefutáveis, irreversíveis e vão se agravar nos próximos anos e décadas se nada for feito para alterar o quadro atual de crise climática e ambiental. “A distância entre o que precisamos fazer e o que realmente está sendo feito está aumentando a cada minuto. Ainda estamos acelerando na direção errada”, enfatiza uma das principais vozes em defesa do clima, Greta Thunberg.


Durante o encerramento da pré-COP26 em Milão, o enviado especial dos Estados Unidos para o clima, John Kerry, anunciou que o Egito será a sede da conferência climática das Nações Unidas em novembro de 2022, a COP27. A urgência climática e o ambiente de catástrofes climáticas exigem que a sociedade civil e governos estejam cada vez mais mobilizados para alcançar meta estabelecida no Acordo de Paris, limitando o aquecimento global neste século a 1.5°C acima dos níveis pré-industriais. Entre os desafios do período está a viabilização do compromisso da Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reiterado em Glasgow, na defesa do mercado de carbono e na destinação de US$ 100 bilhões ao ano para ações climáticas em nações emergentes. Os investimentos deverão ser efetuados, entre outra áreas, no setor de energias renováveis e infraestrutura, para o desenvolvimento de projetos que diversifiquem a matriz energética dos países, visando a diminuição da emissão de CO2 e aproximando as nações do desafio da transição energética global.

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