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Empregos verdes

Os empregos verdes são resultados de iniciativas que estabelecem uma sinergia entre o mercado de trabalho, a produção de energia limpa e os temas ambientais. Segundo a Organização Internacional do Trabalho – OIT, os empregos verdes podem ser definidos como postos de trabalho decentes que contribuem para reduzir emissões de carbono ou melhorar a qualidade de vida de maneira ambientalmente correta e socialmente justa. Assim, políticas públicas e atividades empresariais associadas aos programas de empregos verdes procuram promover uma transição socialmente justa para uma economia sustentável, capaz de gerar trabalho em atividades econômicas consideradas verdes, como o manejo florestal sustentável, reciclagem de resíduos e a produção de energias renováveis.


Segundo Peter Poschen, diretor do Departamento de Criação de Empregos e Empresas Sustentáveis da OIT, existem atualmente aproximadamente três milhões de empregos verdes no Brasil, o que corresponde a 6.6% do total de postos de trabalho formais. Embora o país esteja iniciando sua caminhada nesta área, diz ele, os empregos verdes já crescem mais rapidamente que os demais. Estudo da instituição registrou alta de 26.73% na oferta de empregos verdes no Brasil entre 2006 e 2010, enquanto o total de vagas tradicionais subiu 25.35%. É uma tendência global para reaquecer o mercado de trabalho pós-pandemia da Covid 19, via um modelo sustentável, capaz de promover inclusão social e alterar o grave quadro de retração da economia mundial.


Às vésperas da COP26, o governo federal do Brasil lançou, no dia 25 de outubro, o Programa Nacional de Crescimento Verde. A iniciativa visa “aliar redução de emissões de carbono, conservação de florestas e o uso nacional de recursos naturais com geração de empregos verdes e crescimento econômico”. São metas importantes para o os representantes do poder executivo nacional defenderam na reunião de Glasgow. Especialistas aguardam uma posição pró-ativa do governo brasileiro na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática. Segundo André Lima, representante do Instituto de Democracia e Sustentabilidade, entre 2005 e 2013, o Brasil reduziu o desmatamento da Amazônia em cerca de 85%. Para o integrante do Fórum Brasileiro de Mudança Climática, Márcio Astrini, o Brasil pode recuperar seu protagonismo no debate ambiental, antecipando as metas pactuadas no Acordo de Paris, porém, “no atual governo, o desmatamento da Amazônia explodiu, aumentou mais de 40% em relação ao mesmo período dos governos passados”, enfatizou.


No setor de energia, o documento Cenário En2rgético do Brasil, lançado em 30 de setembro pelo Diretor-geral da ANEEL, André Pepitone da Nóbrega, com a colaboração do Instituto Nacional de Energia Limpa e Sustentável – INEL, prevê investimentos de mais de R$ 565 bilhões até 2030. As estimativas indicam R$ 275 milhões em geração, sendo R$ 182 bilhões em geração centralizada e R$ 93 bilhões em geração distribuída, R$ 90 bilhões em mais de 40 mil km de novas linhas de transmissão e R$ 200 bilhões para melhorias, renovação e expansão do sistema. Este é um dos vetores com a maior participação na criação de empregos verdes no Brasil. É relevante considerar que o Decreto 9.642/2018 que reduziu os subsídios ao setor rural e água, esgoto e saneamento em 20% ao ano, amplia expectativas efetivas de ampliação da construção de sistemas descentralizados de autoprodução de energia a partir de mini e microgeração distribuída. No centro deste conjunto de informações está a perspectiva de que a COP26 aprimore o ambiente de governança global com medidas concretas contra o aquecimento climático e novos investimentos para criação de empregos, em todo o mundo.

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