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Sociedade civil exige medidas práticas e petroleiras assumem compromissos com a transição energética

O Dia de Ação Global pelo Clima, ocorrido neste sábado (6), em diversas cidades do mundo, concretiza a exigência da sociedade civil de medidas práticas na COP26 que contenham e alterem o contexto das mudanças climáticas. Manifestações em Glasgow, Paris, Londres e outras cidades, fazem ecoar o desabafo de António Guterres, secretário-geral da ONU, que reforçou a necessidade de se investir numa economia resiliente e de zero emissões de carbono: “chega de tratar a natureza como toalete, estamos cavando a nossa própria sepultura”. António Guterres afirmou ao mundo e aos líderes globais que é hora de dizer chega, pois os últimos seis anos foram os mais quentes registrados e o “vício por combustíveis fósseis” está empurrando a humanidade para a beira do abismo.

Segundo António Guterres, a “ação climática está no topo da lista de preocupações” da população no geral e por isso, ele fez um apelo aos líderes mundiais para que escolham “ambição, solidariedade e escolham proteger nosso futuro e salvar a humanidade”. Ele agradeceu à Alemanha e ao Canadá por honrarem seus compromissos e salientou que o financiamento climático é essencial para restaurar a confiança e a credibilidade. Guterres mencionou em especial os países menos desenvolvidos e as pequenas ilhas em desenvolvimento, por precisarem urgentemente do financiamento. Para o secretário-geral esta COP precisa ser o momento da solidariedade, pedindo que o compromisso de repassar US$ 100 bilhões por ano para os países em desenvolvimento combaterem a mudança climática precisa se tornar uma realidade.

As grandes empresas de petróleo vêm anunciando ampliação de seus investimentos em fontes de energias renováveis e em tecnologias de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) provenientes de combustíveis fósseis. O processo, iniciado há alguns anos, ganhou força a partir do compromisso da União Europeia de se tornar emissor neutro até 2050, contribuindo para a contenção do aquecimento do planeta. Neste contexto, a transição energética tem relevante importância. A indústria de óleo e gás responde por 9% de todas as emissões de GEE no mundo, além de produzir combustíveis responsáveis por mais de 33% das emissões globais, conforme dados da McKinsey. Diante do atual contexto, consórcio formado por 12 grandes petroleiras mundiais, OGCI, sigla em inglês para Iniciativa Climática para Óleo e Gás, assumiu compromisso de reduzir suas emissões em até 52 milhões de toneladas por ano em 2025. Este grupo produz 30% do total mundial de petróleo e não há nenhuma petroleira do Oriente Médio.

As petroleiras europeias, como TotalEnergies, Shell, BP e Equinor sofrem maiores pressões e tem anunciado acelerar o processo de transição energética. Além disso, tem aproveitado o momento de alta nos preços do barril para irem entrando em mercado de geração de energias renováveis pelo mundo e um Brasil é um dos focos. A estatal norueguesa, Equinor, por exemplo, investe em geração de energia solar no Brasil a partir da compra de participação da Scatec Solar, a maior do segmento na Noruega, operadora do Complexo Apodi, no Ceará. O projeto tem capacidade de 162 MW e é o primeiro fotovoltaico no portfólio global da companhia. Já a petroleira BP está desenvolvendo tecnologia voltada para a rota de hidrocarbonetos, buscando otimização do portfólio com aumento dos investimentos em baixo carbono. No Brasil, a petroleira tem projetos de energia renovável em andamento, como o da joint-venture bp Bunge Bioenergia, segunda maior do setor sucroenergético nacional e outros 2 GW’s em projetos solares. A Shell, que lançou este ano a marca Shell Energy no Brasil com foco em transição energética, investirá R$ 3 bilhões, no país, até o fim de 2025 em geração renovável. A francesa TotalEnergies também atua para se tornar uma das cinco maiores em renovável até 2030, atingindo 100 GW de capacidade instalada em geração solar e eólica no mundo, e no Brasil, desenvolve projetos de aproximadamente 1 GW.

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