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Incerteza radical: os desafios da COP 28 em Dubai e a urgência da transição climática

Incerteza radical é o título da obra dos economistas Frank Knight e John Maynard Keynes, quer aborda os conceitos de risco e de incerteza. O risco estaria restrito a situações em que possíveis desfechos futuros e suas respectivas probabilidades fossem previamente conhecidos, enquanto a incerteza ficaria referida a situações em que não se conhecem as probabilidades nem mesmo os possíveis desfechos relevantes. O momento é grave! O prognóstico climático é considerado como incerteza radial, porque a série histórica não nos fornece parâmetro nenhum para saber o que ocorrerá, mas “é possível em cenário otimista esperar uma crise muito grave e em cenário pessimista que vamos para a extinção”, afirma Marcelo Medeiros, da Columbia University. O embaixador francês no Canadá, Michel Miraillet, afirma: “devemos juntos impulsionar a mudança no nosso sistema financeiro global para torna-lo mais responsivo, justo e inclusivo, e para combater as desigualdades, financiar a transição climática e a proteção da biodiversidade e nos aproximar do alcance dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS das Nações Unidas”.


Mitigação, adaptação, perdas e danos e transição justa foi o limite que chegou a reunião realizada em Bonn, na Alemanha, ocorrido nos últimos dias 5 e 15 de junho. O encontro ocorre anualmente em preparação as COP’s que debatem a questão das emergências climáticas. A COP 28 será realizada em Dubai e coordenada pelo Sultão Ahmed al-Jaber, CEO da ADNOC, maior empresa de petróleo dos Emirados Árabes Unidos. Na contramão dos objetivos das conferências climáticas, al-Jaber declarou recentemente a intenção da ADNOC em aumentar substancialmente a exploração de petróleo até 2030. Após a sinalização ocorrida em Bonn, a COP 28 promete ruas vazias e coreografias nas mesas. O país possuí regime autoritário e repressivo com fortes pendências na área de direitos humanos. A busca de maior certeza dos efeitos climáticos sobre a humanidade tem sido objeto dos relatórios do Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas – IPCC, que agrega centenas de especialistas de mais de cem países. Os riscos que a humanidade corre em não conter a temperatura baixo de 1.5°C tem sido objeto de tentativas de prognósticos visando mitigação e adaptação.


As causas são conhecidas e a resposta ao desequilíbrio climático é urgente. Em maio de 2022, o secretário-geral das Nações Unidas Antonio Guterres dirigiu-se a jovens universitários norte-americanos da Seton Hall University de New Jersey convocando-os para “não trabalharem para os destruídos do clima”, em referência à indústria do petróleo. Guterrez também defendeu, em Davos, a responsabilização do setor petrolífero por mentir sobre seus impactos no clima planetário. Durante a COP 27 do Egito, propôs forte taxação sobre os polpudos lucros recheados de carbono. O setor fatura ainda mais em função de subsídios superiores a US$ 1 trilhão anual, valor próximo ao pleiteado desde 2009 no acordo por perdas e danos, que deveria estar sendo aportado pelos países ricos para salvaguardar os países mais pobres. O transtorno de insegurança que assola países preocupados com a hegemonia política global faz sentido quando olhamos para as consequências assemelhadas do clima e da guerra, com fortes impactos de migração forçada. Patrícia Cohen, correspondente do Times em Londres, afirmou em artigo recente que as condições naturais e os campos produtivos arrasados da Ucrânia, a infraestrutura de abastecimento, saneamento e moradias, relembram ao mundo sobre a extensão dos impactos das guerras no século XX. A reconstrução do país arrasado volta às mesas de discussão, com estimativa inicial orçada em US$ 411 bilhões.


Os últimos anos mostraram ao mundo a necessidade de mudanças quanto à forma como a energia é produzida e como os investimentos em energia limpa devem ser direcionados. O período atual, chamado de transição energética, é caracterizado pela necessidade da descarbonização, digitalização e descentralização. Entretanto, ele é muito mais que isso. A transição energética está centrada nas pessoas e busca garantir um planeta habitável, com saúde, alimentos, segurança, conhecimento, tecnologia, bem-estar e a criação de empregos verdes. A estimativa da ONU é de que, até 2030, 18 milhões de empregos verdes sejam criados no mundo – 7,1 milhões no Brasil. O que motiva a transição energética é sem dúvida o aquecimento global e a necessidade de reversão das mudanças climáticas. Uma realidade já comprovada e sentida por todos os setores em todo o mundo. E neste momento, o Brasil recupera a oportunidade de coordenar a governança global pela transição climática e atrair milhões de dólares em investimentos externos públicos e privados, para recuperar a economia nacional e internacional pós pandemia da Covid-19.

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