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Elevação do custo de transportes, crise na cadeia de suprimentos e nova etapa da ofensiva na Ucrânia

O custo do transporte marítimo cresceu 470% e impacta na inflação global. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria – CNI, somente em 2020, com a pandemia, o preço do frete marítimo subiu quase 500%, iniciando o ano de 2022 com custo 4,7 vezes maior. Atualmente, 90% das movimentações do comércio internacional são feitas pelo mar. O professor da New York University Shangai e da Fundação Dom Cabral, Rodrigo Zeidan, destaca que o cenário atual deve ter um impacto relevante nos próximos meses, com duração ainda extensa. O custo de produção deve ser justamente um dos pontos cruciais para deixar os preços mais caros em todos os lugares do mundo, dado o encarecimento de commodities e outros insumos.


O quadro foi fortemente influenciado pela parada no Porto de Xangai, que tem uma fatia relevante do tráfego marítimo do mundo. Isso ocorreu em meio às decisões do governo chinês, após uma resistência em realizar um lockdown em Xangai. “O governo que resistiu ao lockdown foi o de Xangai. O que temos que entender é que a China não é supercentralizada com imagina-se. Shenzehen, sudeste do país, é mais relevante em comércio internacional e teve lockdown decretado antes de outras cidades. Xangai achou que ia tocar o barco sem fazer lockdown. Quando as coisas saíram do controle, o governo central, por mais que não tenha interferido, afirmou que a autonomia concedida não foi bem aproveitada”, afirma Zeidan.


Em relatório do Royal Bank of Canada (RBC), foi constatado que um quinto da frota global de contêineres estava presa em congestionamento em vários portos. A entidade mostra que são mais de 345 navios aguardando para atracar no porto de Xangai. A Organização Mundial do Comércio (OMC) sinalizou que, no pior cenário possível da dissociação das economias globais e do frete marítimo em alta, o PIB global de longo prazo poderia encolher 5%. De acordo com Mike Kerley, gerente de investimentos da Janus Henderson, à BBC Brasil, as restrições afetam os fluxos nos portos, acumulando contêineres e reduzindo a produtividade em cerca de 30%. Além disso, a diminuição do número de trabalhadores portuários também prejudica a cadeia de produção e de suprimentos. Assim, a paralisação se soma a diversos problemas na economia global que já encarecem os preços em todo o mundo, como a escalada do petróleo com a invasão da Ucrânia.


A Rússia está realizando uma nova etapa de sua ofensiva militar na Ucrânia. Moscou declarou que intensificou as operações militares em todas as áreas. À medida que as entregas ocidentais de armas de longo alcance começam a ajudar a Ucrânia no campo de batalha, foguetes e mísseis russos atingem cidades em ataques que Kiev diz terem matado dezenas nos últimos dias. “Não são apenas ataques de mísseis do ar e do mar”, disse Vadym Skibitsky, porta-voz da inteligência militar ucraniana, neste sábado 16. “Podemos ver bombardeios ao longo de toda a linha de frente. Há um uso intensivo de aviação tática e helicópteros de ataque”. “Claramente os preparativos estão em andamento para a próxima etapa da ofensiva”, declarou.

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