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China e Rússia defendem a multipolaridade e estabelecem parcerias sem limites

Em 14 de fevereiro de 1950, em Moscou, foi assinado o "Tratado de Amizade", Aliança e Assistência Mútua Sino-Soviético, selando a aproximação entre China e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), na presença do ex-líder da República Popular da China, Mao Tse-Tung, e do ex-primeiro ministro da URSS, Josef Stalin. Na sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022, evocando a condição de potências mundiais com rica herança cultural e histórica, suas tradições democráticas de longa data que contam com mil anos de experiência de desenvolvimento, amplo apoio popular e consideração dos interesses de seus cidadãos, os Chefes de Estado, Presidente da República Popular da China, Xi Jinping, e o Presidente da Federação Russa, Vladimir V. Putin, reuniram-se, para participar da cerimônia de abertura da XXIV Olímpiada de Jogos de Inverno, em Pequim, e lançaram Declaração Conjunta sobre Relações Internacionais entrando em uma nova era do Desenvolvimento Sustentável Global. A China é o maior parceiro comercial da Rússia com o comércio bilateral tendo atingido US$ 147 bilhões em 2020.

O documento preconiza que o mundo está passando por mudanças importantes, e a humanidade está entrando em um período de rápido desenvolvimento e profundas transformações. Vê o desenvolvimento de processos e fenômenos como multipolaridade, globalização econômica, advento da sociedade da informação, diversidade cultural, transformação da arquitetura de governança global e ordem mundial, denotando crescente inter-relação e interdependência entre os Estados, propondo uma tendência à redistribuição do poder no mundo e comunidade internacional demonstrando uma demanda crescente por lideranças visando um desenvolvimento pacífico e gradual.


Ao mesmo tempo, à medida que a pandemia da infecção pelo novo Coronavírus continua, a situação de segurança internacional e regional está se complicando e o número de desafios e ameaças globais está crescendo dia a dia. Alguns setores que representam a minoria na escala internacional continuam a defender abordagens unilaterais para tratar questões internacionais e recorrer à força. Interferem nos assuntos internos de outros Estados, afirmam, infringindo direitos e interesses legítimos, incitam contradições, diferenças e confrontos, dificultando o desenvolvimento e o progresso da humanidade, contra a posição da comunidade internacional, destaca a Declaração.


As partes pedem a todos os Estados que busquem o bem-estar para todos e, com estes objetivos, construam o diálogo e a confiança mútua, fortaleçam a compreensão mútua, defendam valores humanos universais como paz, desenvolvimento, igualdade, justiça, democracia e liberdade, respeitem os direitos dos povos de determinar independentemente os caminhos de desenvolvimento de seus países, a soberania, os interesses de segurança e desenvolvimento dos Estados, para proteger a arquitetura mundial impulsionada pelas Nações Unidas e a ordem mundial baseada no direito internacional, buscar a multipolaridade genuína com as Nações Unidas e seu Conselho de Segurança com desempenho de um papel central e coordenador, promovendo relações internacionais mais democráticas, que garantam a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável em todo o mundo.


A Declaração critica o que denomina como herança da Guerra Fria. O lado russo reafirma seu apoio ao princípio de Uma Só China, confirmando que Taiwan é uma parte inalienável da China e se opõe a qualquer forma de independência da pequena nação insular. Os lados enfatizam que apurar a origem da infecção pelo novo Coronavírus é uma questão de ciência. Defende ainda a criação de uma frente global antiterrorista sob coordenação das Nações Unidas, opõem-se a um maior alargamento da OTAN e apela à Aliança do Atlântico Norte para que abandone as suas abordagens ideologizadas da Guerra Fria, opõem-se à formação de estruturas de blocos fechados e campos opostos na região da Ásia-Pacífico, defende o Tratado de "Não Proliferação de Armas Nucleares", critica a cooperação militar entre Austrália, Estados Unidos e Reino Unido (AUKUS), rejeita planos do Japão de liberar águas contaminadas com energia nuclear de Fukushima, defende o Tratado sobre a Eliminação de Mísseis de Alcance Intermediário e de Curto Alcance, os lados se opõem às tentativas de alguns Estados de transformar o espaço sideral em área de confronto armado, afirma a posição dos lados favorável a Convenção sobre Proibição do Desenvolvimento, Produção e Armazenagem de Armas Biológicas e Toxina sobre sua Destruição (BWC).


As partes reafirmam o empenho dos países com inteligência artificial, segurança da informação internacional e na construção de um ambiente de TIC aberto, seguro, sustentável e acessível, apoiam a criação da governança global da internet, defendem o sistema multilateral de comércio baseado no papel central da Organização Mundial do Comércio (OMC), apoiam o atual formato do G20, defendem a parceria estratégica dos BRICS, o fortalecimento do formato BRICS Plus/Outreach e o lado russo apoiará totalmente o lado chinês que preside a associação em 2022 e ajudará na realização frutífera da XIV cúpula do BRICS, reiteram seus compromissos com o Acordo de Paris, com a transição energética e a reversão do aumento da temperatura terrestre, e as partes observam a interação frutífera dentro da SCO sobre o Acordo de 2009 entre os Governos dos Estados membros da Organização de Cooperação de Xangai. Os sinais são de multipolaridade e de uma aliança sem limites entre China e Rússia.

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