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Caminhos da cooperação Brasil China

Em direção à maior economia do planeta


Desde sua entrada na Organização Mundial do Comércio em 2001, a China caminha de maneira acelerada em direção à condição de maior economia do planeta. As previsões indicam que o país asiático se tornará, em termos nominais, entre 2025 e 2030, a maior economia do mundo. Segundo dados do ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços do Brasil, entre janeiro a julho de 2019, nosso superávit no comércio exterior com Pequim chega à cifra de US$ 15.414, 54 Mi, participação positiva de 27,9% neste período. Foram US$ 36.207,21 Mi em exportações, contra US$ 20.792,67 Mi em importações.


Entre os principais produtos exportados estão a soja 38%, óleos brutos de petróleo 24% e minérios de ferro e seus concentrados 18%. Em seguida vem celulose 5.9%, carnes de bovinos 2.3%, ferro-ligas 1.7% e outros. Entre os importados, lideram plataformas de perfuração ou de exploração, dragas com 10%, produtos manufaturados 9.8%, circuitos impressos e outras partes de telefonia 4.2%. Depois vem circuitos, dispositivos, peças, tecidos de fibras, sulfato, máquinas, compostos orgânicos, fios, obras, entre outros.


O país é governado pelo Partido Comunista da China. O organismo mais alto do PCCh é o Comitê Permanente do Politburgo, cujos 7 membros são os indivíduos mais importantes da política nacional. Abaixo, coexistem várias camadas políticas, em nível nacional e provincial. Os principais órgãos do Governo são a Assembleia Popular Nacional (APN), o Presidente e o Conselho de Estado. Os membros da APN são eleitos para mandatos de cinco anos pelos constituintes, basicamente membros do PCCh dos seus distritos de origem. A República Popular da China é organizada em 23 províncias (incluindo Taiwan), cinco regiões autônomas e quatro municipalidades administradas centralmente, além de duas regiões administrativas especiais, Hong Kong e Macau.


A China reconhece 55 minorias étnicas, mas a maior parte da população - 91.6% - é da etnia Han. Todas, com exceção de duas das etnias reconhecidas, têm seus próprios idiomas falados, enquanto 22 têm o seu próprio sistema de escrita. Os dialetos mais comuns, incluindo os usados pelas não minorias são o Mandarim (Chinês tradicional), Cantonês, Wu (Xangainês), Minbei (falado em Fuzhou), Minnan (Hokkien-Taiwanês), Xiang, Gan e Hakka.


Registros escritos na China remontam ao tempo da Dinastia Shang (1700 a.C. - 1046 a.C.), mas historiadores datam o início da China Imperial em 221 a.C., quando a Dinastia Qin estabeleceu o primeiro reino imperial unificado. Subsequentemente, a China foi governada por nove dinastias de longa duração, até que o reinado da última, a Qing, terminou em 1911 com a abdicação do último imperador. Foi então estabelecida uma república, logo abalada pelo início da guerra civil em 1927 e pela guerra com o Japão a partir de 1937. Os conflitos na China arrefeceram somente em 1949, com o estabelecimento da República Popular da China, liderada por Mao Tsé-Tung. O ano de 1978, sob o comando de Deng Xiapong, marcou o início de uma era de reformas econômicas que continua até hoje.


A origem da atual e promissora relação política entre Brasil e China, está no estabelecimento de relações diplomáticas em 15 de agosto de 1974. Ao longo de duas décadas seguintes, alguns acordos de baixo impacto foram assinados entre os dois países. Outros acordos foram assinados durante os anos 80 para cooperação nos campos da ciência, tecnologia, cultura e educação. Os dois países estabeleceram representações por meio de Consulados-Gerais em grandes cidades - o Brasil, em Xangai, Cantão e Hong Kong; e a China, em São Paulo e Rio de Janeiro.


As relações políticas entre o Brasil e a China foram intensificadas, nas esferas bilateral e multilateral. Os dois países estabeleceram uma Parceria Estratégica em 1993 e organizaram frequentes visitas presidenciais nos últimos anos. Brasil e China também são parceiros em importantes foros internacionais, como o BRICS e o G-20. A China é o principal destino das exportações brasileiras e também se tornou a maior fonte de importações do Brasil, passando os Estados Unidos em 2012.


O Estado de São Paulo realizou a Missão Empresarial China 2019. Organizada pela Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade - InvestSP. O objetivo da referida Missão foi atuar no apoio aos empresários para a atração de investimentos e preparar a inauguração do escritório comercial do Estado de São Paulo, administrado pela InvestSP, na cidade de Xangai.


No Rio Grande do Sul, embora a Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento - AGDI, tenha sido extinta no último período, o mandato do deputado estadual Jeferson Fernandes, aprovou a criação de uma Frente Parlamentar no legislativo estadual para trabalhar no estreitamento das relações culturais e comerciais entre o Estado e a China. Aqui foi criada uma Agência de Promoção Comercial liderada pelo empresário Paulo Tigre. Na última quinta-feira, 15.4, estes líderes estiveram reunidos com a representante do Departamento Econômico e Comercial da Embaixada da China no Brasil, Ministra Conselheira Shao Yingjun, objetivando mediações empresariais e políticas entre Rio Grande do Sul e China. É fruto deste esforço a apresentação da estatal CITIC Heavy Industries que desenvolveu inúmeras patentes e se tornou um Centro de Tecnologia em diversas áreas como mineração, cimentos, fundidos de grande porte e nuclear. Notadamente paciência, excelência de capacidade técnica e estabelecimento de sólidas relações de confiança estão entre os segredos para consolidação destes auspiciosos caminhos na cooperação entre Brasil China.

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