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Azovstal, G7 e a segurança da esquina entre as ruas Estácio de Sá e Monte Alverne

O cerco realizado na siderúrgica de Azovstal, em Mariupol, na Ucrânia, encerrado nas últimas horas, tornou-se mais um ícone da tragédia decorrente do ímpeto expansionista do Kremlin e da Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN. O local abrigou por diversas semanas centenas de civis e combatentes ucranianos que permaneceram sob bombardeio pesado, escondidos em bunkers e túneis, lutando contra as forças de Vladimir Putin. O complexo siderúrgico e metalúrgico de Azovstal fica contíguo ao mar de Azov, na parte Sudeste da cidade, com 11 km², considerado “uma cidade dentro da cidade”. As origens do complexo remontam à década de 1930. Em 2 de fevereiro de 1930, o Conselho Supremo de Economia Nacional, que dirigia a política econômica da URSS, decidiu construir uma nova siderúrgica em Mariupol, em 1933 começou a produção de ferro e dois anos depois a de aço. Em 7 de setembro de 1943 o Exército Nazista explodiu todas as instalações, deixando o local em ruínas. Em 2006 o local foi comprado pelo grupo Metinvest, controlado pelo oligarca Rinat Akhmetov, considerado o homem mais rico da Ucrânia, na época pró-Rússia. Atualmente mortes, ruínas e escombros formam a paisagem de uma invasão marcada pela intolerância e violência, inadmissíveis no regime democrático.


A invasão da Ucrânia colabora com o ambiente global de recessão e risco inflacionário. Os setores de combustíveis, gás natural, trigo e fertilizantes estão entre os mais afetados. Estudos do Instituto Brasileiro de Petróleo – IBP, indicam que o barril do petróleo deverá custar em média US$ 116 em 2022. O risco de desabastecimento de combustíveis em diversos países é real. Em 2020 a Rússia exportou 5.2 milhões de barris de petróleo por dia, através de uma produção média de 10.6 milhões de barris por dia. No setor de gás natural a Rússia é o maior exportador mundial do produto e o segundo maior produtor. No ano passado foram exportados 238 bilhões de m³, sendo 83% das exportações via gasodutos. Do gás natural importado pela Europa, 41% vem da Rússia, segundo a Eurostat. O destino do gás natural russo é 74% para a Europa OCDE, 13% para Ásia e Oceania e 13% para o resto do mundo, conforme demonstram os relatórios da U.S. Energy Information Administration (EIA). No que se refere ao petróleo 49% da produção é vendida para Europa OCDE, 38% para Ásia e Oceania e 13% para o resto do mundo. O conflito evidencia a dependência energética europeia em relação à Rússia. E ao mesmo tempo, demonstra a importância para a Rússia das receitas de exportação para a Europa.


Neste momento, ministros de Finanças e representantes de Bancos Centrais do G7 fazem reunião emergencial no hotel palaciano em Koenignswinter na Alemanha. Na pauta estão a recessão e o risco inflacionário: estagflação e discussões sobre a elevação de custos de matérias-primas com a invasão da Ucrânia e lockdowns na China que estão desacelerando o comércio internacional. Em Nova York, a Organização das Nações Unidas reúne-se para tratar da segurança alimentar global. Os preços dos alimentos estão 30% mais caros. O secretário-geral da ONU, António Guterres, enfatiza que a falta de fertilizantes e grãos, junto com o aquecimento global e os problemas nas cadeias de produção ameaçam dezenas de milhões de pessoas. O pronunciamento ocorreu após o Banco Mundial anunciar a destinação de US$ 12 bilhões para ações que visam mitigar os efeitos do mundo. “As implicações econômicas e financeiras são complexas e requerem boa vontade de todos os lados para que um acordo seja firmado”, declarou Guterres. A Ucrânia tem importância fundamental para a situação alimentar mundial, pois o país é responsável pela produção de 12% de todo o trigo do planeta, 15% da produção do milho e a metade do óleo de girassol mundial. Grande parte destes produtos eram escoados pelos portos do país, que estão tomados pela Rússia. A única saída para a produção agrícola ucraniana são rotas terrestres, menos eficientes e congestionadas.


Na esquina das ruas Estácio de Sá com Monte Alverne, no bairro Chácara das Pedras, em Porto Alegre, está localizada a Academia Global Action. A “segurança no entorno” tornou-se um ludíbrio compartilhado com o eficiente Polnischlehrer, Robson Sychocki, especialista em treinamento personalizado em áreas como saúde, reabilitação de lesões, hipertrofia, preparação TAF e emagrecimento. O gracejo é pelo símbolo da bancarrota do sistema de previdência pública no Brasil, associado a relativização das teses dos defensores do pensamento único de que a iniciativa privada pode prestar com competência todos os tipos de serviços em sociedade. Ao amanhecer, diariamente, aproximadamente 7h, um operário, com fase etária próxima dos 70 anos, caminha vagarosamente em direção ao seu posto, integrado por uma cadeira e pela desatenção para promover a segurança do local. É o retrato da decadente subordinação que os trabalhadores brasileiros foram condicionados com a denominada reforma da previdência, ou seja, mulheres e homens desvalidos economicamente precisarão labutar até os últimos dias da vida, esperando esgotar suas últimas energias, pois ao contrário, estarão subordinados à fome, desemprego e desesperança. Em razão da adversa realidade caracterizada neste fragmento, o pobre homem foi nomeado: “segurança de Zelenski”. Defendo que em 2022, todo tipo de intolerância e violência sejam superados.

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