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A energia limpa e a reindustrialização

A intervenção do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta quarta-feira (18), no Fórum Econômico de Davos, abordando a importância da energia limpa para a reindustrialização da América Latina, foi muito relevante para a transição energética. Fernando Haddad e Marina Silva representam o Brasil no Fórum Econômico de Davos focados em economia verde, floresta em pé, regulamentação do crédito de carbono, energias renováveis e a determinação do governo federal em retomar o protagonismo do país na governança global pela reversão da mudança climática. O centro da ênfase do ministro é indicar a gradual recuperação da economia nacional com base na atração de novos investimentos internacionais e de empresas para dinamizar a geração de empregos verdes.


Em outro sentido, é imprescindível que o Brasil recupere a sua capacidade de investimentos em educação, pesquisa, inovação, ciência e tecnologia. Esta perspectiva está presente nos pronunciamentos da ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, que demonstra absoluto compromisso com a valorização da soberania nacional. Para tanto, hierarquizar como absoluta prioridade que a transferência tecnológica esteja no cerne dos contratos internacionais de novos investimentos é fundamental. E assim, estruturando a recuperação de um elevado nível de cooperação entre universidades, escolas técnicas e institutos federais de educação para estimular a juventude brasileira a criar e produzir novas patentes para a produção de componentes de fabricação nacional para os vetores de geração de energias limpas e do ambiente da transição energética.


A percepção expressa por Fernando Haddad aponta para a importância da construção de novas linhas de transmissão, que permitam a integração energética da América Latina, criando um virtuoso e robusto novo mercado. Segundo ele, “energia solar, energia eólica, são transportadas de maneiras distintas de combustíveis fósseis, devemos nos concentrar na construção de novas linhas de transmissão, integrando a região e alavancando novos empreendimentos no setor de energias limpas”, salientou o ministro. A integração energética regional sempre foi defendida pela ex-presidente Dilma Rousseff. Profunda conhecedora do setor de energia, Dilma sempre atuou na direção da criação de um sistema elétrico interligado na América Latina.


A Agência Internacional de Energia (IRENA), possui declaração indicando que a reconstrução da economia mundial deverá passar pelas energias renováveis. “Os governos estão embarcando na tarefa monumental de criar pacotes de estímulo e recuperação. Elas estão em uma escala para moldar sociedades e economias nos próximos anos. Essa resposta deve estar alinhada com as prioridades de médio e longo prazo. As metas estabelecidas na Agenda 2030 das Nações Unidas e no Acordo de Paris podem servir como bússola para manter o curso durante esse período desorientador”, enfatiza Francesco La Camera, diretor-geral da IRENA.


O setor de energias renováveis atingiu 11 milhões de empregos em todo o mundo em 2018 e pode quadruplicar até 2050. Considerando os postos de trabalho em eficiência energética e flexibilidade do sistema, as ocupações podem crescer em outros 40 milhões. “É importante ressaltar que as fontes renováveis oferecem uma abordagem comprovada para os cuidados de saúde remotos em comunidades carentes de energia e adicionam um elemento-chave ao kit de ferramentas de resposta a crises”, salienta La Camera. Entre as vantagens competitivas, por exemplo, em se tratando das fontes eólica e solar, estão as oportunidades com a descentralização da geração, permitindo um maior envolvimento dos cidadãos e das comunidades nas decisões energéticas, com “implicações sociais transformadoras”. O Brasil terá um papel muito relevante neste período de profundas transformações em escala global.

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